8.28.2017

gesta o gesto
que não (;) há de ser!
é agora

(         )

já não mais

12.17.2013

... ela deixa o perfume na porta de casa, na rua a caminho do meu trabalho;

9.20.2013

As Violetas me imensam

... e as marias-sem-vergonha me apequeninam.

9.03.2012

hoje acordei
             bebi o café que eu mesmo fiz e requentei...
             e fiquei humildemente pensando
no futuro que não vem.

5.30.2012

Minto que me mato a cada verso, menos minto no não-dito...
e em nada, no que lês!

12.27.2011

inda

nem saudade d'um tempo...: um hiato de mim

8.10.2011

De quando me vem uma angústia
que é a de saber o desigual,
o singular.

Se me fosse consentido a mim sentir-nos chuva
(muitas coisas e uma só)
aí sim...:
aí, quanta alegreza!
Quantos murmurares!...

8.07.2011

Traiu-me a dinastia em que me enfiei. E Filiei-me a metáfora do que não pode ser senão de fora.

Destilo, então, a ilusão
(da metáfora, do poder)
- e sou um rapaz esforçado.

Saboreio a sina enquanto a mágoa quiçá se condense.
E não pretendo... nada senão permear a mim:
inimigo e amante do que sou.

Vejo-me Vendo-me
... e vento podres, que tento adorná-los flores
para o rol que não entro.

7.23.2011

Cimo porque há abismo, e altura.
essa que não tão bem consenso.

4.27.2011

falha a carcaça da seiva, só ânfora vazada que, sem esvazio, derrama-se.

Valhei-me pernas e tropeços! e pedras – dais meu nome quieto na gravidade úmida de tempo e entorno; e de perto, do seu eu vê-la e nunca a ela.

2.15.2011

"... (o pão do fim)"



E depois de manifesta a primeira coisa, do primeiro tipo, viu-se:

Mais mão do que houvera, mais mão no que nem era mão – naquilo,

plasmado do porvir;


As mãos, à partir de agora, ferramentas; o toque, mais que tudo, princípio de magia e violência;

Ambas

Desmedidas

12.08.2010

Amo-vos!

Por serdes todos Narcizos - e eu, Narcizo.
Por ser-vos: vendo-nos.

10.21.2010

Livr(o/e) a ser lido

Se nunca os tivesse visto, saberia todo o resto menos isso; muito provável que houvesse só o vazio do sentido, que veio vir a trazer aquele par (como existisse, definitivo, o mais belo quadro, mas que dele só se soubesse a moldura... e que pudera ter sido o mais belo quadro, e só isso). E, nesse caso, eram olhos...

em verdade olhos ordinários, desses que se cruzam por um acaso de uns estarem por descer do ônibus e os outros por ali passeando, distraídos, enxergando sem verem o que de fato olhavam no momento de clarividenciarem o encontro.


...havia a vida naquele olhar, e pensava isso enquanto não mais estavam juntos os olhares...

mas ainda presente a sensação que trouxeram pela conversa de eras, num simples se porem os olhos uns nos outros;

Mais presente aquela umidade de vida que se alongava a sua análoga: aventuravam-se na brincadeira de ver almas; ambas, graves e responsáveis ao ludicarem seus contatos.

E o mais que vira fôra silêncio,

sem adjetivos...

o tanto de vida faltante a sua(...).

A dela reciproca.

Olhou breve para o canto superior, e o canto da boca na mesma feita – como se ao cair pensasse “não; denovo...;” e ao mesmo tempo dissesse um sim melodioso ao zunir, caindo. Era nítido que um tanto dA falta estivesse indo na cor mesma daqueles olhos – castanhos, quase que certamente que castanhos; dependendo da luz, méus.


A falta, agigantando-se, vivendo na cor que a olhou uma única vez, e ainda a que mais olhara certo...


Reconhecera a sua criança na criança que habitava ali.

e além de méis, azuis, quase que plenamente azuis essas crianças

Tinha a facilidade para reconhecer crianças nos olhares, treinara desde a infância, como instrumento, como utensílio, ou melhor, como uma língua, que só vive por nós.

Vivia sua memória no simples ecoar de um movimento. Agora:

“vivente memória daqueles olhos de ora,

daquela cor,

do silêncio ofuscante,

daquela falta...”.


Ainda vivia a memória do pôr-do-Sol, roxo, vermelho, laranja, cor de amarílis e cor de rosa, esta alada cor. que via ainda, mas que via viva no instante antes do impacto.

As três vidas, o pôr-se o Sol, ela e ele indo-se, e os olhos pondo-se, viviam, viviam deveras; impulsionadas; independentes, imprudentes de vibrantes.

Vivia assim, até quando consegue reviver que vivia, vivia assim: em soluços, ou entre as pausas de um para outro estacato da risada mais gostosa; e ela como o caminhar saltitante dos relógios da casa de sua vó, que pareciam mais namorar do que obsequiar o pêndulo... namorava, de fato, o tempo como quem tenta guardar o gosto de todo o canto da vida numa única boca, e para isso tem de fartá-la do pão, da saliva e do sabor de todo canto.

Mastigar


passo a passo

o mínimo possível


sem engolir


manter o mais fresco

que se pode,

até se percerber saboriando a própria

boca.


A gravidade do silêncio a excitava, e a adormecia ao se concentrar em todas as suas

cores...

assim fôra que aprendera a escutar o pigmento das palavras.

só podiam mesmo ser ditas pelo que as enxergasse... mas


olhos só dizem olhares.


E se chamasse?... se gritasse àquelas cores, àquele silêncio, àquele vale de possibilidades que tanto a instigava? Se gritasse... e se gritasse...

não, não no mundo da cognição, não nessa avenida de políticas que só afastam o que se pensa ser a vida do que tem alma.Gritaria feito doida nenhum nome, não sabia o nome do silêncio nessa outra língua criada pelo homem para esconder o significado íntimo das coisas... “significado íntimo nenhum”


então:

“te empresto meu livro, sem nenhuma promessa,

te dou assim o que jamais poderia,

pois sou mais o que flui do que a fluência;

mais revelada pelo o que em mim ecoa, do que pela matéria em si

– ('é como timbre natural, entende?)...'

… e ela não sabe a resposta; e mesmo que houvesse, não era exatamente aquilo que calava, era uma outra cousa, ou de outra natureza, ou outra forma;

na verdade não calava: soava; tangia o sentidos que reverberavam... e só. E aquelas cores que se iam pareciam ter escutado; se sim,

“essa cor faz a minha luz ser vida aos ouvidos.”


E dependia do it também, havia it que se ouvia como sinfonia jazzística, noutro uma sonatina populaça, noutro um doce melisma escutado ao longe...

tinha it em que parecia ser só o sussurro de uma chuva, fininha, em que é preciso fazer shhhhhhhhhhh para a companhia... calar a respiração para ecoar o shhhhhhhhhhhhhhhhh..., … … … … … … … gostova era de quando soava uma caixinha desafinada boa, gostava justo do desafinado, dava-lhe a textura, a afetuosidade àquela única composição de tons, e mais ainda gostava de pensar nas gerações que escutaram essa caixinha ir perdendo o teso 440 hz no lá; e ir ganhando a vida nos contornos tônicos,

nas cores da ferrugem do som, nas memórias como sétimas sensíveis,

como cheiro de casa de amigo.

E sentia-se a interseção do próprio escutar essa caixinha de segredos, ela era todas as fotos e todo o terem amaralecido as notas as fotos e a bailarina. E o espelho visto desde sempre; como era também a entidade dos sorrisos que se abrirão nos incessantes renovares e permaneceres – como eram seus olhos e as suas mãos, sintomas de sua individualidade e de sua comunhão: nos olhos, tinha a dádiva consagrada por ela e por ancestralidade, e nas mãos os traços da maldição de acarinhar o fogo,

como resultado – enxergava o lá e tateava o ritmo, música e verso, para acalentar o quase-sem-querer-derramar dos seus carinhos respingados pelo mundo afora, orgânica de luminosidade...

… e não sabia ser isso uma pergunta.


como se chamaria aquele olhar, que os seus chamavam em olhares?

mesclados de aflitos pela voz ser brilho e de calmos em saber a música dos olhos amantes,


que já eram amantes aqueles olhos que, mesmo que amantes, não se voltaram mais.


... - ...


Seguindo retos, os dois agora amantes tentavam se manter fixos no destino, achando que deviam proteger os passos que iam precisos no caminho,

mas sozinhos, pois os olhos ficaram vivendo a miragem dos amantes que, parados, se despediam em pequenos raios misturados sem saberem... ele, concentrando sua atenção nos planos, atento as eloqüências dos tempos, principalmente deste tempo, querendo saber pensar o universo... de olhos medrosos em verem o vazio quântico cotidiano... se penetrasse o vazio, teria que conviver com o abismo todos os dias... e é perigoso, pois os abismos nos elucidam, nos atraem e nos crescem...

e tinha medo por inteiro de deixar de ser, deus criança e poeta.


E

Não se voltaram para trás.... queriam também manter aquele gosto... como querendo ser apenas água o que é mar,

E aqueles olhares ficaram-se assim um ao outro, como gostos que deslizam lentamente para a eternidade humana –

inexistindo

inexistindo,

inexistindo;

inexistindo. até tornar-se o sulco do nada da vida, e ir compor o fruto da graça do corte que, posto que divino, vazio...


como todas as poesias surgidas na boca de todas as crianças:

O meu vazio está em todos os olhos que não vieram olhares para vê-lo.

10.02.2010

... e escapou a poesia pela brechinha de um tempo sem idade.

e para que escape: só o fimbo no ritmo íntimo, empírico -
pra fazer vazar a alma sem ter de ir buscar poema;
só linguagem.
.

9.14.2010

Calmo!
Para com o montante da Vida
e seus percalços.
Muito calmo...
para com o seu Oposto.

Rápido - de enfurecido - para com o seu composto, seus adornos, enleios, enlaces,
mais para com os efeitos que me pedem qu'eu esteja vivo:
em quando os minutos se diluem,
os segundos se desdizem por suas frações se inexistirem
no sem-tempo em que o segredo quase agride por fazer-s
E (e) calma...

A cabeça pede.
(Como fosse muita água para a muita sede que sente.)
SÓ.
COMO PAZ NÃO TEM CONTRÁRIO...
E PENSO, ALMEJO, TRADUZO, DEDUZO, USO
E ISSO TUDO.

MAS OLHOS SÓ DIZEM OLHARES...

9.08.2010

Perdi há muito já a empertigância do que supunha ser o meu dever de literato.
Tentei ser bonito, fidalgo e abismos das eloquências nas quais custumava depositar esperança...
Até caírem todas aos pés do estar errado n'ora, n'outr'ora certo...
e ver que não tenho idéia do que faço.

Daí se entrevê o ofício e os perigos de lidar com alma, com substantivo.
Aquele mesmo que fez tremer e ecoar o antigamente,
que traz o futuro inviolável e homeopático;
e o presente como torrente de afogamento pra dentro... sufocando de ar,
da densa leveza de quem pensa brincar a verdade de infante...

porém esta quão mais rigorosa realidade é!
"Uma memória a ter-se..."
mais aquela que a sorte crie.



(roubado de poeta angolano
e aprendido por poesia mais fina)

9.02.2010

interlúdio para uma interlocução

Tenho de me aventurar a ser só eu,
mas apesar, cismo em procurar a dimensão exata.
A tudo falta fingir explicação
e, apesar de a nada, a resposta possa ser:...

42
é curioso como a vida parece se impor,
tal dois olhos que impelem que se VIVA...
e que se lembre de um futuro que ao passado oprima
(por mais mágico)...

mas por ora o PRESENTE é que promete o AGORA...
una poesia de gift, guapa...
or just a poeta como dádiva.

estranho que eu pretenda estrañarte,
mais natural é eu querer saber-te,
parte por parte...

só eu sendo - o que te faça happy
por estar-se deveras descuidada.

8.06.2010

Eu tinha
um cílio guardado pra ter um desejo
que eu possa fazer,
e roubar uma nuvem
e plantar lá no nosso quintal.
mais triste que esmagada em livro,
esta flor foi simples brinquedo duma criança distraída,
que sorria brasas de brisas ao devastá-la...
pétala por pétala

7.22.2010

Como poderia eu atender a tal chamado?
Calado, dentro, preso.
Fruto de um quase amor...
(futuro)
E por quase, essa quase vida...
Este quase - imenso.
Morto em outro corpo...
(materno)
Morto em eterno silêncio.

she eat (the moon)

não há uma nuvem... e o engraçado é eu querer que haja...
e não por fazerem graça e companhia a solitude do céu...
mais por serem próximas e omitirem.

Quero que omitam a beleza, já não preciso nem a quero.
Já não sou eu que olho a Lua, mas a Lua que me olha zombeteira,
de soslaio, imcompleta como está.
Hoje não a quero... e nem sei se um dia a quererei,
me levou mais que o prazer esteta de vê-la...
Usurpou-me o eu romântico que faria alusões e se possivel rimas...
Hoje nem há músicas - e foram tantas, sem serem de vidro...
mas não levou nem uma.
Nem guardou meu biletinho que continha consigo a verdade do universo
(isso é: da minha alma)...
mandou jogá-lo fora
e atendi a seu pedido.

finito... é o que repito sem saber ao certo o que significa...
se acaso signi, se acaso fica.
caso é que não espero nem des... não tanto... ou quase.

7.21.2010

a lua só me fala bobagens...
além de que amarela muito meus suspiros.

3.15.2010

Crio o que não sigo,

e cri possível criar mais que os grilos que cricrilam meus motivos.
Tudo o que não é eu, é inimigo;
e nele me tenho, pequeno, criança,
amando o veneno, mas não tanto;
mais a eterna vingança
varonil;
meiga, perfilada em um adeus -
amargo, à deus, por seu brinquedo e sua herança.

É inimigo meu tudo que é eu.
E o sou.
Eu me libertei do que me agrada
para nunca mais me atar ao que me consola

12.17.2009

Gosto de ter cicatrizes, as minhas,
isso mostra que fisicamente o que sofro fica marcado em
mim;
e agora cê possa pensar ser pena as carícias não
ficarem assim tão explícitas,

mas estas são tão mais profundas marcas...

10.06.2009

nunca tivemos uma música;
as nossas eram todas e nenhuma.
apenas o compartilhar as ondas sonoras em reações diversas de nossos sistemas e formas
de sentirmos, escutarmos, e calarmos no amistoso silêncio,
íntimo - secreto sempre -
e nós...

sujeitos de si próprio

8.29.2009

Não gosto que me amem!
Gosto de amar,
de amar quando sou amado,
mas não gosto que me amem.
.
Não gosto que me amem.
.
Gosto que me gostem.
Gosto quando gostam do meu gosto;
do meu jeito quando amo
- E Amo!
Amo quando deito mesmo que uma noite...
.
só não
gosto que me amem...
Gosto que encante, iluda, ludique, caduca;
mas pra isso só é preciso que se faça,
que se esteja um ao outro, a melhor parte...
.
.
Não gosto que
.
me amem.
.
não
...
Não gosto

8.18.2009

À minha menina DE FATO (sem nome mais que o calado)

conheço os motivos mais íntimos e explícitos de seus sorrisos
mais pequenos...
mas insisto, por muito, em desconhecer as causas das ínfimas lágrimas
absortas fora,
exteriores dentro.

8.10.2009


"E tem a minha menina
do nome feminino do meu poeta favorito
(com medo que o mundo se acabe daqui a uma trinca)
– felizmente podem ser ambos meus, graças aos
pronomes possessivos."


Minhas poesias até hoje foram ruins por eu sempre querer que
fossem grandes,
porque o eu sempre querer já tudo explica.

E ainda perco-me a tentar a escrita breve...
torno-me incompreensível
(ou torno-a se mo fosse concedido);
erro a escrita longa
porque saio do destino a qual me guio.
A(h!)o menos assumo que sou ridículo:
quantas poesias, confesso, comecei ao cabo
enxertando o meio de uma pomposa, promiscua, prolixa,
efusiva lírica,
- para tentá-la grande,
mas nunca...
E ela, graças a deusa, língua,
indecodificavelmente bela.

Não nasci a tempo dos chapéus...
isso é que falte a minha arte:
a elegância harmônica do gesto
(tal a de um Chaplin)...
a tão expressiva, simbólica e cidadã representância
de um chapéu...
um componente histórico que falte aos homens como eu.

Precisava é roubar a expressão
linda e vulgar, e já roubada,
de saldar-lhes tirando o chapéu largo,
que é isso que meus sentimentos fazem.
Mas minha cabeça pelada,
de uma cabeleira espalhafatosa e atabalhoada,
perde esse movimento raro, plácido,
sobrando só um salve desajeitado.

Mas também o mundo agora não precisa de poesia,
não tanto quanto de poetas –
não se tem ela nem à tinta, nem à seco.
Hoje já não há rima que condiga nem que ao mundo dizer consiga
(não há ao menos a unidade).
E poucos são os corações que a sentem [a falta];
poucas são as ganas que a fazem...

Mais que poesia, faltam poetas.
A poesia, a encontro a cada hora, de soslaio,
mas em toda a roda não acho um só que contemple-a ao meu lado
- ou eu sou míope, entorpecido, ou o resto todo é que é
tapado.

E pretenso a dizer que o que faltam são poetas de verdade!
(se acaso achasse-a para tal intento...)
Mas minto
(mas digo que faltam poetas de verdade);
e já me basta de buscar o poema,
ora é, pois, que me invade,
penetra-me a toda senda,
pois o meu ver – já o disse, minto –
mente ser poeta;
mas não se basta –
é preciso ser quem o ler.

(Quase morro com um cigarro mas acontece que me fica bem
parecer ter desprezo pela vida, porque não basta, porque falta
– a mim, como a ela, tê-la)
E é preciso senti-las,
tanto a vida quanto a falta;
é preciso pô-las como farsa artística,
que melhora e revigora seus detalhes.
É preciso o menos,
a falha...

Por isso o último verso ser só quando finde a vida
e nem sempre ser o último verso o que quando acaba.





























E o que há é essa umidade
de vida nos olhos e nos sexos apenas,
que com o tempo vão secando
em lágrimas e filhos não-nascidos...
E só por isso que são precisos os poetas
para fazer da eterna não nascença
poesia.

7.27.2009

o dado
desconcedendo a graça já cedida
é fé que a febre não passe

(febre cega, graça amolada
na pedra em meio do útero-vitae)

disputar dados com o universo
é febre que a fé não passa

7.12.2009

Matá-los nunca fora ambição – mas assim a natureza grita, guia e se fortalece.

Impoder, leitores; impoederes!
Viver: agüentar. Todavia, pensar é ousadia.

O presente quase não se percebe por dinâmica tão direta.
E cantamos o Agora em vozes alheias, impostas
ou por nossas respostas ao dia-a-dia
d’ilusões de tradições televisivas, se não tardias.

5.01.2009

enquanto poeta, acho o comum em mim;
como eu, e apenas, extraio a poesia de ti -
desbandeirado país
de formas e substâncias aleatórias

e certas,
sem saberem(-nas)(,)(-se).

2.25.2009

(Penso e falo tanto de uma literatura se ela quase não exista...
Ora! Foda-se que sejam botões ainda o que componho;
Ora é, pois, que predizem exata grandiloqüência:
Desacreditar que sejamos sublimes
E desinfelizes;)

Talvez esteja oferecendo cigarro a não-fumantes.

(Min'alma se apazigua de rutilantes calmas recitadas, melódicas, a ela por ela;
Cada ponto seu é tão diverso e impreciso clock que o destino se fixa e
Mescla-se de velocidade, vontade e unicidade empírica.
- Adorna-se de poesia.)

(O dito – como dizem – nas entrelinhas:)
Outro dia lembrei que vos amo
(quase me assusto ou rio com isso).

11.24.2008

Todo eu é a estética de nadas ancestrais.

Que importa a mim o corpo, simples pasto enganoso do espírito?
(enganoso sobre si, não sobr’ele)
Híbrido de falta e unicidade – dupla falácia sublimada pela palavra humano;Importa, assim, a mim, mais os vermes do banquete venturoso do poder ser além do gozo.

Confunde-me mais ser bicho que poeta,
E mais ainda isso ser um contra-senso, psicológico e moral –
Não o do contraste de num cigarro ter aceso o nada metafísico,
Mas o da dicotomia do penetrar o alheio no que não é um nem outro:
Valores de valores,
Queda-me pobre ser também vocês – é também de sangue que se vive –,
Sendo que pudesse ser tão mais grande ao ser poeta só pra mim.
Sem os olhares esquivos e crivantes, amantíssimos, nebulosos, sedutores e descrentes,
Sem os cuspes e lambidas nos ouvidos acostumados já há tanto, e tanto, a serventes serem –
até mais que a eles próprios.

O Corpo.
Tal, assim, este mesmo que Deus haveria de chamar;
Sem as palavras mágicas que houve de usar para criá-lo;
Mas – tão mais lúcido –
Pelo vocábulo criado para o representar, e representá-las,
Criado pela faculdade de linguagem
que não sei como chama quando a ela se dirige.

(assim fica a vontade de um pedido, como promessa)

Então...

Covardes, os fortes do porvir, impermeadas fontes que fulminam qualquer gosto.

Condenada, pois, a água por não abandonar o rio nem as nuvens; ao não deixar de ser vapores e precipitação –
Então se poderia ponderar a ousadia e presença contínua d’alma,
Que julgada por ser, pelo que, o que lhe cabe.

Então, culpa ao fruto a sede e a saliva,
Ambos, fruto e boca, pecadores de não haver outra saciedade que não o próprio irem um ao outro,
Corpóreos de ambígua potência – intenção e senda.

Divino módulo da mandíbula,
Provedor à poupa e à boca de seus sentidos de serem – individuais e juntas –, que,
Sem mesmo o saberem,
Fá-las no momento ao qual se fazem
(em olímpos de papilas, enzimas e frutoses enigmáticas; em sinapses, devaneios, lisergias; amuletos, drogas, em procissões de desmesuras; em penas e pagamentos) –
Na sorte dos azares de sermos.

Verazes, deveras verazes, as mentiras que engendram novas cores.

Então, sórdido é o deus que não saiba o nomear humano de sua criação;
O palhaço que se não ria do ofício de sua condição – preso à alegria que evoca,
À realidade que cria.

Porque não possamos negar a desmedida –
O Indefinido Sim –
Nenhuma seta que nos dome, nem centro que nos meça.

11.09.2008

Há serem
os filhos a virem.
tornar mais que um fato, fogo, ato,
mais que mais reais cores e calores,
mais que fátimas abstratas ideais.
Nem mulher, andajo;
Andarilha de não-onde; e
Mãe do não-haver.

Ser e ir – fecunda,
híbrida de passos e quereres.

10.26.2008

Trapézio de idéias e espectros do monólogo, velho imagético; à frames de movimentos...

Internos do tempo,
Há aqui outras bocas escarninhas e poetas porque viveram e vivem,
Deixam seus pedaços.
Pr’um quebra-cabeça sempre completado e equivocado...
Peças perdidas num tapete vasto; pós e cacos apagados...
Num tapete tempo,
Que se gasta emaranhando novos fios de cores jamais vistas.

Pára, meu coração,
Minha escrita rodovia,
Rodoviária! Respira!
(Fuma um cigarro metafísico para os comerciais...)
Vaga mala calma.
Quantas bagagens, motivos, quantos vivos se passam,
Nesse espaço que é só via!...
Acho meu amor numa esquina encruzilhada d’alma

Poeta, nau cega da eternidade márea
(pronto a ser náufrago nas instituições pedras; rochedos, as cidades; turbulência das políticas:
poesias presidente, cartão de banco, conta corrente; meandros da intimidade cornumbada; cumprimentos apartheides).
assim estava antes...
Antes do poema ou qualquer coisa atabalhoada e interna...

Mas pôr agora meus olhos em tuas pálpebras, enquanto dormes,
Esperando que acorde a vida
E que coloria com lápis coloridos suas palavras,
A nossa rotina artística de sabores orgíacos escorregadios,
É estar em vista de um mapa antes visto,
Mas guardado intocado;
É chegar algures de mãos dadas,
Sentidos despertos,
Passos precisos em pernas engajadas...
Quando em quando trôpegas em verdades.

*

Toda face o espelho me promove e não agracia.
Cada porta é rosto e gesto –
o corredor afasta o horizonte a cada passo...

A minha doença de olhar tal longe – displicente em bater e esperar que atendam;
Quem não sei

Como tivesse que entrar aos solavancos, não o fazia...
E a chave ignota de baixo do capacho.
Um banco hospedante.
Sento-me na quina
O mais afastado da última pessoa sentada
– é claro!
Por qualquer promíscua política nossa.

O ônibus não tem hora
(seria mais poético se fosse um trem...)...
Todavia é um ônibus.

É cidade esta Casa e o meu sentir meus sentimentos –
Um suspiro vadio;
Vazio áspero ao sentir o cheiro do mijo
Ácido ao meu estômago...
Usurpado pelo rasto das chagas advindas do espírito:
Mirins oferecem-me pacotes
– caseiros; industrializados; quase.
Mordem-me a alma,
Posto que a tenham.

(Levanto a cabeça,
o menino que há pouco ofereceu-me o pacote recusado,
baixa a dele,
ao que consigo ver um tédio indizível pueril que fala:
que não lhe sou útil;
que meu tédio, financeiro ou solidário – não importa – não lhe agrada;
que meus versos, que não os sabe escritos, pausados no colo para a recusa, calados,
não lhe dizem nada.)
Espírito, sois todo homem!
E mais!
E como se comportam seus espíritos singulares!
(Como se compotam em falsos açucares!) –
Como o mais e o menos onírico e falso da beleza de nossa grandeza pejorativa.

Estonteante tristeza rala
A alma...
Quantas me escapam!
Por mais que eu as busque (captá-lA);
Ou justo por não deixá-las à vontade.
A vida possa mesmo ser certas logias,
Que, porém, a sede e a água juntas dissipem-nas...
Mas, líquida a fé,
Consagrada uma política,
Trocada a mágica das pernas por rodas fáceis,
Construída uma poesia pela gramática,
Ou mesmo pela língua,
Não mais pela linguagem
– que é como se apresenta qualquer força incisivamente presente:
sentir, idear, mentar, conceber, nutrir...
Etc que...
Nem acho verbo!...

Nada há que da alma escape a vista para vê-la.

10.23.2008

Enredo imóvel, caro, fatídico...

Excêntricas proposições dos que deglutem vendo –
Já não mais rio, já não mais junto;
Justo pelo contrário: discrepante.

Justo porque contrário.

Rivalidades amantíssimas – dir-se-ia.
Batalhas contra montanhas de muralhas.

Miro;e finjo que são folhas brancas o espaço elétrico mentido (quem sabe em rima)

E agora, da poesia arrancada de todas as coisas, quereria tirar do medo a matéria ao menos d’uma.

Pondero pra mim a minha pena,

suo e ela soa;
(nenhum que é se é,
porque um objeto que um eu recorta
)
Nem um sabe o entendido, ou se’é falado o qu’é entendido.

E em mendros de falares...!
Quedamos na idéia de cabíveis leitores inertes –
Daí se desata supores, torpores e éteres do que compomos,
Variantes

__ Queria fazer com que o mais simples fosse poesia...

... me perco em mim.
Sabendo-me à incapacidade de fazer ser;
Tornando ao Nada-Possa –
Confeccionado por assimilativo.

(A Pena não chora tinta; o papel possa que as palavras seque, cesse; insisto em tentar que as evoco, mas bato em pensar que as represento – nada mais que um norte) Nem chia,
Posto que se saiba à parca massa; polissêmica dinâmica –
Desdiz-se enfática;
Sonhada consubstância,
E ser apenas concomitância contemporânea.

10.12.2008

Conheço uma flor, claro que humana,
Prisioneira de sua perfeição –
Minúscula, exclama impropérios
Que faço enormes pelo sentimento que lhe tenho;

... .

Emputeço-me por calar o espelho:

Eu, que – por tanto, e quanto – tento o pensamento natural,
Alcançando apenas o normal, que finjo e assimilo –
Expurgo no penetrante de mim,
Dobro a rasura do estranho que entranha
E moldo o esboço da minha baça perfeição de homem.

9.30.2008

poesias sem linha

Eu, que sou, em suma, uma ânsia, às vezes difusa, de querer entender,
Não sou capaz de estranhar o porquê de atravessar a rua apressado,
Sem mesmo ligar importância aos carros,
Mas virar-me a qualquer assovio de pessoa
– aos que acham que me chamam
(não conseguiria estranhar ser humano em todos os entres).



- uma pretensão literária

(Qual é o tempo ao qual a literatura rompe a barreira do livro
– a do leitor –?
Qual é o limite para as idéias irromperem a barreira do tempo?
Isso é:
Se se pudesse dizer que há barreiras ou limites para a arte ou para o espírito.)

O caso seria, como é, de as barreiras e limites estarem de acordo com suas manifestações,
Com seu alcance advindo da abrangência que consegue;
Como também de não se estreitar o espaço em que se dão
Seus infinitos concebidos como particulares.

Do limite de seu alcance não possam mesmo ultrapassar
(perdendo-se quando passam – transfigurando-se – ,
porque passam.
Transferem-se – eis um exemplo aqui e aí...
mas certo que de modo torto a exatidão que pretendo, que almejo).



- Meta-significação – aos inteligentes – (o chapéu largo aos que não precisarem ler e que ainda assim o façam)

Eu quando pequeno,
Quando mais pequeno,
Quanto menor eu era mais objetivos tinha,
Porque outros queria
E outros deixava ou perdia
– a todos!

Quanto maior ficava –
Os objetivos menos, mas grandes,
E mesmo ainda fora de alcance –
Via-me eu pequeno perante o mundo
(perante o mundo grande dos grandes).
Descobri que tinha de ter objetivos por um objetivo único,
Um bem mais grande,
Que fosse um norte aos medianos e miúdos
(que de norte fosse a direção que fosse – que tomasse).

Eu, então, no centro da rosa dos ventos,
Tentando sentir qualquer força compatível a mim, que me atraísse.

Pois é que – neste quadro de imagem acústica,
No qual pinto, pensando também, mas sentindo (virtualmente)
E fisicamente produzindo quase mudos sons (multifacetismo de signos pluralizado):
Aqui, no caso –
Há de se exaurir forças abstratas à atrair e
Ser atraído, concomitante, continuamente
– talvez: ser lançado e lançar-se
para dentro do mundo e para fora de si,
depois de
o mundo pra dentro, profanando-se
(profanando o que já o é)
(Como quadro, é um momento congelado,
O momento presente congelado,
Compacto, inteiro, coeso, coerente por ser –
Como tudo fixo, pedra, estátua e chão
–, seguir inerte a infinitude ubíqua de cárcere de gozo.

(Mas a rosa dos ventos não é senão humana, de norte estipulado...
Esta de aqui não.)

Ser, então, as rosas dos ventos que semeiam,
Em raiz, fixadas em espaço;
Ter o fértil amplificado.

Como não há primeiro (que todo intuito é gerado e não surgido),
Não há criação;
Mas não há empecilho para o que existe existir!
(Até que... e deixar de.)

(Que no mundo dos pequenos, dos infantes, ...,
haja fadas!,
mesmo para que depois as matem.
Uma vida borbulhante, real,
existente porque dinâmica
e presente,
situada, perceptível, influenciável,
tangível à suas manifestações.)

Não é por mero meta-discurso,
Ou intertextualidade
(que são nomes feios a minha poesia)
Que O digo e executo
– O que digo por (com) leviandade...
Leviano a vós todos!
Que acaso sejais inteligentes.

(Vou à segunda pessoa do singular:)
Acaso se fores inteligente, mesmo que nem tanto,
E acaso tenhas por’uma certa instância encontrado fadas, gnomos,
Ou tenhas escutado a voz que o vento sopra,
Ou mesmo concebido que uma semente contenha a floresta toda...
Se fores este, então...:
Me calo

(um verso em branco).

Calo-me por reverência de (a) um sentimento grave,
De quando nos deparamos com uma verdade incontestável
(Completa – porque com todo o diverso condiga).

Mas (de novo aos só inteligentes,
Que precisem de provas precisas
Por não verem-nas no que está escrito
Nem ao redor do que consideram eles...)
(No aqui do tempo, agora, eu deva plagiar para ir buscar um argumento: tenho de
Ser sincero contradizendo-me a cada minuto)
Quando me negas verdade, quando, se, contradizes-me,
e no que eu concorde contigo,
Não estarás chegando à verdade concreta se permaneceres fiel a ela
E se quiseres que ela se mantenha categórica ao longo do tempo
(posto que é o próprio tempo inverso ao categórico);
Não estarás pondo-me verdade goela a baixo
Por remédio;
Só, isso sim, bitolado a realidade tua.
(Isso parece ruinar a minha autoridade
enquanto autor do que, exato, digo.)

Autores de outrora intercedei, rogai por mim!,
Os póstumos que me retomem,
Concordem ou contradigam-me.
Esqueçam-me de imediato os de agora!
– a nossa raça (de autores do presente) só é alguém como projeção
de passado e futuro.

(Aqui eu sou só o que digo.)

Os que são agora são parte do processo –
Relevantes para supor aspectos dele, de outro tempo.
Não convém definirmo-nos, pois não estamos acabados
– Não estamos!

Não me instiga querê-los convencer nem entendê-los...
Convém, sim, captar a regra
(como lei, tendência, tenência, ou essência natural)
A que obedecem...

(mas não quero falar sobre umidade, grisalhar, perecimento: o transmudar da existência: a tudo que vive, o fator tempo.)

O presente é a instância –
Impertinente tentar concebê-lo, por nos participarmos-lhe.
E fica-se muito mais simples que pela intemporalidade
Chegue-se ao bosque das fadas e gnomos, ...

(A partir daqui serei anti-poético até demais:)
É certo que a obra-de-arte (que já é um termo feio, impessoal e impreciso), como toda comunicação, dá-se por um código específico, algum signo, ou seja: por virtualidade ou virtualização de um elemento real para o entendimento; e que os signos se multiplicam e comungam (copulam) em sistema.
Mas para conceber sua realidade, nunca toda, não se trata de entender seus elementos, ou não apenas...
Trata-se antes de saber o que não se saiba. (Posto que nem mesmo os elementos se entendam a si por si sós, e mesmo porque se não mantenham.) Que
O que venha a uni-los
dê mais sentido que a própria disposição dos signos.
(Isso – talvez! – faça com que meu intuito mude em certo ponto. Mesmo que nada haja que possa fugir a natureza de tudo – como a minha letra que não possa deixar de ser garranchosa por rápida, e de garranchância por poéticas escritas sem pensar se erra ou acerta: sem saber Se!, sem saber ser! –,
acaso eu me submeta aos inteligentes captando sua linguagem, sua forma de entendimento, para que possa me fazer entendido, para que possa me fazer entenderes – acaso eu tento.)

Ignoras
(Talvez!)
(Digo talvez para que não tenha que talvez vir pedir desculpas por um talvez-ruído externo a mim e, talvez, a minha escrita),
Ignoras que haja qualquer inteligível eixo condutor na interação,
na integralidade,
De incodificável, de indizível;
Que nem quem as gera e gerencia poderia conceber sua totalidade,
Por mais que a faça ser só sendo utilizada por si.

Como ignoras!...
Ignoras a dinâmica contínua da geração de significado;
Onde, certo “eu” estou, dá-se o infinito,
E onde nada haja por acaso
– simplesmente seja caso que não tenhas percebido –,
Mesmo que não tenha aparente ou determinado motivo!, ícone, cânone,
Sanidade.

(... e eu ainda preferia falar de flores!)...


*-*-*


__ Fora! Fora!, fora! Fora o dentro em mim!
A substância se torna a forma,
A forma é o que se quis.
A forma vem à tona fora,
A substância vem em si.

Nem o que se é só se é,
Porque o que existe (ao que se é) recorta;
Nem o outro seja (ao que é) o que de fato é,
Se o nosso eu lhe põe em bordas
– pela sua (deste eu) capacidade, e conceito de digno,
pela circunstância moral e parâmetro sígnico:
Inerências sociais! – o que o dizer nosso se torna.

*

Não me é consentido, por mim, mensurar ou ponderar a vida,
Por seus aspectos de fragmentações terem de me bastar,
Por nem poder decifrar seus gestos todos
E nem saber qual ou quanto seria esse todo.
Mesmo sem também poder ver seus reflexos, refluxos,
Por estar-me fluindo em eles, junto
*-*-*

quero sem querer luz, e sombra que nos represente

(A penumbra, nem consigo repará-la bem,
Por variedade de luz e sombra que é.)


*-*-*

Quando se embota a cor dos olhos
Nada segura
O pranto que mesmo não bem simula;
Tampouco será ele o que o executa.

O medo não se tem menos ausente
Quando o brilho d’olhos desfalece
(o que nos medra no escuro é o que não se pode ver no claro).

9.27.2008

TEM SONS NA MINHA BOCA!

(não mais me assusto ou rio)
Minha boca tem sons que não são delaS.
São as teclas, quase mudas; que gritam baixo
Dependentes da força com que as pressiono...

E olha que hoje já a luz é bem mais forte!

Pois se é mais a luz no agora, tomara o lugar que antes a sombra fazia tão charmoso!
Tento o teno e atino tinta e tom
Aos quais tentam teto e peso co’ dedo teso.
Hirta, a turba se conjuga por mescla de tédio e estranheza –
Desleixada estarrecida.
Ecoa o oco ventre – o putrefato fruto mordido à fato...
Sem sulco.

Para que se não diga – como o dito – que sou hermético:
É tanta parada!
Tanta parada loca que não se sabe...
É que o desenrolo é muito doido merhmo!...
E nós no meio...

Eu no centro (dito-visto), apenas isso...
É que – agora vejo – quando vem de mim um verso
Ele é o passo antes do conclusivo;
O seguinte, o póstumo.

Derradeiro – sempre – omisso.

Pois é que

9.21.2008

Ter nervos a tudo que há;
Mesmo fementido, fomentado;
Experimentando tão limites inadequados,
Galgando - expresso - outros, ignotos;


Pronto a matá-los num só galope louco.
Como que da síncope, o rítimo subtarrâneo,
Gritando oco -
Calmo pelos ecos que tateia e tenta.
A graça de ser as sombras é justo o não serem o que não contêm

9.20.2008

A mordaça falha à navalhada boca – ânfora de vida.
Parca ânsia férrea das errâncias das luzes de tão perto.

Prega praga - pro ídolo, o escolhido prego.

Mas as pedras é que lapidam os passos;
E é de ver que meus olhos lembram, aprendem pedaços em bordas e cores...
Embora nunca se tenham visto olhando senão pr’eles próprios.

Fome; vontade de saciá-la e de mais fome – de certa, inexata fome.
O pasto são os vermes e os éteres propícios
Que transbordam o que se tenta como porta imprópria.

A antemanhã de minha solidão me diz contrários

9.12.2008

VIII / a flor.

"Gôsto de acontecido em’olhos.

Definha-se a fina flor que se escrevia.

Hoje: é a escrita tétrica, fragmentária de alegrias,
Co’a qual se diz de algum possível a prévia
– errada por rápida e por rápida inexata,
sem nem citar o próprio nome.

Supõe algo que já fora dito
E o diz pel’metade...
Disso se cria arte, sem intuito, parte
(feita pelo Tempo agora impoesia).

Doravante é que se faz a sua sina."