11.24.2008

Então...

Covardes, os fortes do porvir, impermeadas fontes que fulminam qualquer gosto.

Condenada, pois, a água por não abandonar o rio nem as nuvens; ao não deixar de ser vapores e precipitação –
Então se poderia ponderar a ousadia e presença contínua d’alma,
Que julgada por ser, pelo que, o que lhe cabe.

Então, culpa ao fruto a sede e a saliva,
Ambos, fruto e boca, pecadores de não haver outra saciedade que não o próprio irem um ao outro,
Corpóreos de ambígua potência – intenção e senda.

Divino módulo da mandíbula,
Provedor à poupa e à boca de seus sentidos de serem – individuais e juntas –, que,
Sem mesmo o saberem,
Fá-las no momento ao qual se fazem
(em olímpos de papilas, enzimas e frutoses enigmáticas; em sinapses, devaneios, lisergias; amuletos, drogas, em procissões de desmesuras; em penas e pagamentos) –
Na sorte dos azares de sermos.

Verazes, deveras verazes, as mentiras que engendram novas cores.

Então, sórdido é o deus que não saiba o nomear humano de sua criação;
O palhaço que se não ria do ofício de sua condição – preso à alegria que evoca,
À realidade que cria.

Porque não possamos negar a desmedida –
O Indefinido Sim –
Nenhuma seta que nos dome, nem centro que nos meça.

11.09.2008

Há serem
os filhos a virem.
tornar mais que um fato, fogo, ato,
mais que mais reais cores e calores,
mais que fátimas abstratas ideais.
Nem mulher, andajo;
Andarilha de não-onde; e
Mãe do não-haver.

Ser e ir – fecunda,
híbrida de passos e quereres.

10.26.2008

Trapézio de idéias e espectros do monólogo, velho imagético; à frames de movimentos...

Internos do tempo,
Há aqui outras bocas escarninhas e poetas porque viveram e vivem,
Deixam seus pedaços.
Pr’um quebra-cabeça sempre completado e equivocado...
Peças perdidas num tapete vasto; pós e cacos apagados...
Num tapete tempo,
Que se gasta emaranhando novos fios de cores jamais vistas.

Pára, meu coração,
Minha escrita rodovia,
Rodoviária! Respira!
(Fuma um cigarro metafísico para os comerciais...)
Vaga mala calma.
Quantas bagagens, motivos, quantos vivos se passam,
Nesse espaço que é só via!...
Acho meu amor numa esquina encruzilhada d’alma

Poeta, nau cega da eternidade márea
(pronto a ser náufrago nas instituições pedras; rochedos, as cidades; turbulência das políticas:
poesias presidente, cartão de banco, conta corrente; meandros da intimidade cornumbada; cumprimentos apartheides).
assim estava antes...
Antes do poema ou qualquer coisa atabalhoada e interna...

Mas pôr agora meus olhos em tuas pálpebras, enquanto dormes,
Esperando que acorde a vida
E que coloria com lápis coloridos suas palavras,
A nossa rotina artística de sabores orgíacos escorregadios,
É estar em vista de um mapa antes visto,
Mas guardado intocado;
É chegar algures de mãos dadas,
Sentidos despertos,
Passos precisos em pernas engajadas...
Quando em quando trôpegas em verdades.

*

Toda face o espelho me promove e não agracia.
Cada porta é rosto e gesto –
o corredor afasta o horizonte a cada passo...

A minha doença de olhar tal longe – displicente em bater e esperar que atendam;
Quem não sei

Como tivesse que entrar aos solavancos, não o fazia...
E a chave ignota de baixo do capacho.
Um banco hospedante.
Sento-me na quina
O mais afastado da última pessoa sentada
– é claro!
Por qualquer promíscua política nossa.

O ônibus não tem hora
(seria mais poético se fosse um trem...)...
Todavia é um ônibus.

É cidade esta Casa e o meu sentir meus sentimentos –
Um suspiro vadio;
Vazio áspero ao sentir o cheiro do mijo
Ácido ao meu estômago...
Usurpado pelo rasto das chagas advindas do espírito:
Mirins oferecem-me pacotes
– caseiros; industrializados; quase.
Mordem-me a alma,
Posto que a tenham.

(Levanto a cabeça,
o menino que há pouco ofereceu-me o pacote recusado,
baixa a dele,
ao que consigo ver um tédio indizível pueril que fala:
que não lhe sou útil;
que meu tédio, financeiro ou solidário – não importa – não lhe agrada;
que meus versos, que não os sabe escritos, pausados no colo para a recusa, calados,
não lhe dizem nada.)
Espírito, sois todo homem!
E mais!
E como se comportam seus espíritos singulares!
(Como se compotam em falsos açucares!) –
Como o mais e o menos onírico e falso da beleza de nossa grandeza pejorativa.

Estonteante tristeza rala
A alma...
Quantas me escapam!
Por mais que eu as busque (captá-lA);
Ou justo por não deixá-las à vontade.
A vida possa mesmo ser certas logias,
Que, porém, a sede e a água juntas dissipem-nas...
Mas, líquida a fé,
Consagrada uma política,
Trocada a mágica das pernas por rodas fáceis,
Construída uma poesia pela gramática,
Ou mesmo pela língua,
Não mais pela linguagem
– que é como se apresenta qualquer força incisivamente presente:
sentir, idear, mentar, conceber, nutrir...
Etc que...
Nem acho verbo!...

Nada há que da alma escape a vista para vê-la.

10.23.2008

Enredo imóvel, caro, fatídico...

Excêntricas proposições dos que deglutem vendo –
Já não mais rio, já não mais junto;
Justo pelo contrário: discrepante.

Justo porque contrário.

Rivalidades amantíssimas – dir-se-ia.
Batalhas contra montanhas de muralhas.

Miro;e finjo que são folhas brancas o espaço elétrico mentido (quem sabe em rima)

E agora, da poesia arrancada de todas as coisas, quereria tirar do medo a matéria ao menos d’uma.

Pondero pra mim a minha pena,

suo e ela soa;
(nenhum que é se é,
porque um objeto que um eu recorta
)
Nem um sabe o entendido, ou se’é falado o qu’é entendido.

E em mendros de falares...!
Quedamos na idéia de cabíveis leitores inertes –
Daí se desata supores, torpores e éteres do que compomos,
Variantes

__ Queria fazer com que o mais simples fosse poesia...

... me perco em mim.
Sabendo-me à incapacidade de fazer ser;
Tornando ao Nada-Possa –
Confeccionado por assimilativo.

(A Pena não chora tinta; o papel possa que as palavras seque, cesse; insisto em tentar que as evoco, mas bato em pensar que as represento – nada mais que um norte) Nem chia,
Posto que se saiba à parca massa; polissêmica dinâmica –
Desdiz-se enfática;
Sonhada consubstância,
E ser apenas concomitância contemporânea.

10.12.2008

Conheço uma flor, claro que humana,
Prisioneira de sua perfeição –
Minúscula, exclama impropérios
Que faço enormes pelo sentimento que lhe tenho;

... .

Emputeço-me por calar o espelho:

Eu, que – por tanto, e quanto – tento o pensamento natural,
Alcançando apenas o normal, que finjo e assimilo –
Expurgo no penetrante de mim,
Dobro a rasura do estranho que entranha
E moldo o esboço da minha baça perfeição de homem.

9.30.2008

poesias sem linha

    Eu, que sou, em suma, uma ânsia, às vezes difusa, de querer entender, Não sou capaz de estranhar o porquê de atravessar a rua apressado, Sem mesmo ligar importância aos carros, Mas virar-me a qualquer assovio de pessoa – aos que acham que me chamam (não conseguiria estranhar ser humano em todos os entres)

 - uma pretensão literária 

 (Qual é o tempo ao qual a literatura rompe a barreira do livro – a do leitor –? 
Qual é o limite para as idéias irromperem a barreira do tempo? 
Isso é: Se se pudesse dizer que há barreiras ou limites para a arte ou para o espírito.) 

O caso seria, como é, de as barreiras e limites estarem de acordo com suas manifestações,
Com seu alcance advindo da abrangência que consegue;
Como também de não se estreitar o espaço em que se dão
Seus infinitos concebidos como particulares.
Do limite de seu alcance não possam mesmo ultrapassar
(perdendo-se quando passam – transfigurando-se – , porque passam.
Transferem-se – eis um exemplo aqui e aí... mas certo que de modo torto a exatidão que pretendo, que almejo). 

- Meta-significação – aos inteligentes – (o chapéu largo aos que não precisarem ler e que ainda assim o façam)

Eu quando pequeno, Quando mais pequeno,
Quanto menor eu era mais objetivos tinha,
Porque outros queria 
E outros deixava ou perdia – a todos! 
Quanto maior ficava – 
 Os objetivos menos, mas grandes,
E mesmo ainda fora de alcance –
Via-me eu pequeno perante o mundo (perante o mundo grande dos grandes).
Descobri que tinha de ter objetivos por um objetivo único,
Um bem mais grande,
Que fosse um norte aos medianos e miúdos
(que de norte fosse a direção que fosse – que tomasse).

Eu, então, no centro da rosa dos ventos,
Tentando sentir qualquer força compatível a mim, que me atraísse.
Pois é que – neste quadro de imagem acústica,
No qual pinto, pensando também, mas sentindo (virtualmente)
E fisicamente produzindo quase mudos sons (multifacetismo de signos pluralizado):
Aqui, no caso –
Há de se exaurir forças abstratas à atrair e
Ser atraído, concomitante, continuamente
    – talvez: ser lançado e lançar-se para dentro do mundo e para fora de si, depois de o mundo pra dentro, profanando-se (profanando o que já o é).
(Como quadro, é um momento congelado,
O momento presente congelado,
    Compacto, inteiro, coeso, coerente por ser –
Como tudo fixo, pedra, estátua e chão –);
seguir inerte a infinitude ubíqua de cárcere de gozo.

(Mas a rosa dos ventos não é senão humana, de norte estipulado...
Esta de aqui não.) 

Ser, então, as rosas dos ventos que semeiam,
Em raiz, fixadas em espaço;
Ter o fértil amplificado.
Como não há primeiro (que todo intuito é gerado e não surgido),
Não há criação;
Mas não há empecilho para o que existe existir!

(Até que... e deixar de.)

(Que no mundo dos pequenos, dos infantes, ..., haja fadas!, mesmo para que depois as matem. Uma vida borbulhante, real, existente porque dinâmica e presente, situada, perceptível, influenciável, tangível à suas manifestações.)

    Não é por mero meta-discurso, Ou intertextualidade (que são nomes feios a minha poesia) Que O digo e executo – O que digo por (com) leviandade... Leviano a vós todos! Que acaso sejais inteligentes.
(Vou à segunda pessoa do singular:)
    Acaso se fores inteligente, mesmo que nem tanto, E acaso tenhas por’uma certa instância encontrado fadas, gnomos, Ou tenhas escutado a voz que o vento sopra, Ou mesmo concebido que uma semente contenha a floresta toda... Se fores este, então...: Me calo 

(um verso em branco)

    Calo-me por reverência de (a) um sentimento grave, De quando nos deparamos com uma verdade incontestável (Completa – porque com todo o diverso condiga). Mas (de novo aos só inteligentes, Que precisem de provas precisas Por não verem-nas no que está escrito Nem ao redor do que consideram eles...)

(No aqui do tempo, agora, eu deva plagiar para ir buscar um argumento:
    tenho de Ser sincero contradizendo-me a cada minuto)

    Quando me negas verdade, quando, se, contradizes-me, e no que eu concorde contigo, Não estarás chegando à verdade concreta se permaneceres fiel a ela E se quiseres que ela se mantenha categórica ao longo do tempo (posto que é o próprio tempo inverso ao categórico); Não estarás pondo-me verdade goela a baixo Por remédio; Só, isso sim, bitolado a realidade tua. (Isso parece ruinar a minha autoridade enquanto autor do que, exato, digo.)

Autores de outrora intercedei, rogai por mim!,
Os póstumos que me retomem,
Concordem ou contradigam-me.
Esqueçam-me de imediato os de agora!

– a nossa raça (de autores do presente) só é alguém como projeção de passado e futuro. (Aqui eu sou só o que digo.) Os que são agora são parte do processo – Relevantes para supor aspectos dele, de outro tempo. Não convém definirmo-nos, pois não estamos acabados – Não estamos!
    Não me instiga querê-los convencer nem entendê-los... Convém, sim, captar a regra (como lei, tendência, tenência, ou essência) A que obedecem...
    (mas não quero falar sobre umidade, grisalhar, perecimento: o transmudar da existência: a tudo que vive, o fator tempo.)
    O presente é a instância – Impertinente tentar concebê-lo, por nos participarmos-lhe. E fica-se muito mais simples que pela intemporalidade Chegue-se ao bosque das fadas e gnomos, ...
    (A partir daqui serei anti-poético até demais:)
    É certo que a obra-de-arte (que já é um termo feio, impessoal e impreciso), como toda comunicação, dá-se por um código específico, algum signo, ou seja: por virtualidade ou virtualização de um elemento real para o entendimento; e que os signos se multiplicam e comungam de (copulam em) sistemas. Mas para conceber sua realidade, nunca toda, não se trata de entender seus elementos, ou não apenas... Trata-se antes de saber o que não se saiba. (Posto que nem mesmo os elementos se entendam a si por si sós, e mesmo porque se não mantenham.) O que venha a uni-los dê mais sentido que a própria disposição dos signos.
    (Isso – talvez! – faça com que meu intuito mude em certo ponto. Mesmo que nada haja que possa fugir a natureza de tudo – como a minha letra que não possa deixar de ser garranchosa por rápida, e de garranchâncias poéticas escritas sem pensar se erra ou acerta: sem saber Se!, sem saber ser! –, acaso eu me submeta aos inteligentes captando sua linguagem, sua forma de entendimento, para que possa me fazer entendido, para que possa me fazer entenderes – acaso eu tento.)
    Ignoras (Talvez!) (Digo talvez para que não tenha que talvez vir pedir desculpas por um talvez-ruído externo a mim e, talvez, a minha escrita), Ignoras que haja qualquer inteligível eixo condutor na interação, na integralidade, De incodificável, de indizível; Que nem quem o gera e gerencia poderia conceber sua totalidade, Por mais que o faça ser só sendo utilizado por si.
    Como ignoras!... Ignoras a dinâmica contínua da geração de significado; Onde, certo “eu” estou, dá-se o infinito, E onde nada haja por acaso – simplesmente seja caso que não tenhas percebido –, Mesmo que não tenha aparente ou determinado motivo!, ícone, cânone, Sanidade.
(... e eu ainda preferia falar de flores!)... 

 *-*-*

 __ Fora! Fora!, fora! Fora o dentro em mim!
A substância se torna a forma, 
A forma é o que se quis. 
A forma vem à tona fora, 
A substância vem em si. 

 Nem o que se é só se é, 
Porque o que existe (ao que se é) recorta; 
Nem o outro seja (ao que é) o que de fato é, 
Se o algum eu lhe põe em bordas
– pela sua (deste eu) capacidade e conceito d'digno,
    pela circunstância moral e parâmetro sígnico:
Inerências sociais! – o que o dizer nosso se torna.

*

Não me é consentido, por mim, mensurar ou ponderar a vida,
Por seus aspectos de fragmentações terem de me bastar,
Por nem poder decifrar seus gestos todos
Nem saber qual ou quanto seria o tanto.

Mesmo sem também poder ver seus reflexos, refluxos,
    Por estar-me fluindo em eles, junto

*-*-*

quero sem querer luz, e sombra que nos represente
(A penumbra, nem consigo repará-la bem, Por variedade de luz e sombra que é.)

*-*-*

Quando se embota a cor dos olhos
Nada segura
O pranto que mesmo não bem simula;
Tampouco será ele o que o executa.
O medo não se tem menos ausente
Quando o brilho d’olhos desfalece 

(o que nos medra no escuro é o que não se pode ver no claro).

9.27.2008

TEM SONS NA MINHA BOCA!

(não mais me assusto ou rio)
Minha boca tem sons que não são delaS.
São as teclas, quase mudas; que gritam baixo
Dependentes da força com que as pressiono...

E olha que hoje já a luz é bem mais forte!

Pois se é mais a luz no agora, tomara o lugar que antes a sombra fazia tão charmoso!
Tento o teno e atino tinta e tom
Aos quais tentam teto e peso co’ dedo teso.
Hirta, a turba se conjuga por mescla de tédio e estranheza –
Desleixada estarrecida.
Ecoa o oco ventre – o putrefato fruto mordido à fato...
Sem sulco.

Para que se não diga – como o dito – que sou hermético:
É tanta parada!
Tanta parada loca que não se sabe...
É que o desenrolo é muito doido merhmo!...
E nós no meio...

Eu no centro (dito-visto), apenas isso...
É que – agora vejo – quando vem de mim um verso
Ele é o passo antes do conclusivo;
O seguinte, o póstumo.

Derradeiro – sempre – omisso.

Pois é que

9.21.2008

Ter nervos a tudo que há;
Mesmo fementido, fomentado;
Experimentando tão limites inadequados,
Galgando - expresso - outros, ignotos;


Pronto a matá-los num só galope louco.
Como que da síncope, o rítimo subtarrâneo,
Gritando oco -
Calmo pelos ecos que tateia e tenta.
A graça de ser as sombras é justo o não serem o que não contêm

9.20.2008

A mordaça falha à navalhada boca – ânfora de vida.
Parca ânsia férrea das errâncias das luzes de tão perto.

Prega praga - pro ídolo, o escolhido prego.

Mas as pedras é que lapidam os passos;
E é de ver que meus olhos lembram, aprendem pedaços em bordas e cores...
Embora nunca se tenham visto olhando senão pr’eles próprios.

Fome; vontade de saciá-la e de mais fome – de certa, inexata fome.
O pasto são os vermes e os éteres propícios
Que transbordam o que se tenta como porta imprópria.

A antemanhã de minha solidão me diz contrários

9.12.2008

VIII / a flor.

"Gôsto de acontecido em’olhos.

Definha-se a fina flor que se escrevia.

Hoje: é a escrita tétrica, fragmentária de alegrias,
Co’a qual se diz de algum possível a prévia
– errada por rápida e por rápida inexata,
sem nem citar o próprio nome.

Supõe algo que já fora dito
E o diz pel’metade...
Disso se cria arte, sem intuito, parte
(feita pelo Tempo agora impoesia).

Doravante é que se faz a sua sina."