É só brincadeira e verdade.
A poesia vem quando o verbo morde a carne,
No gosto inaugural, o instante,
Agora sempre dentro.
Sou eu quando me tocam e me mostram onde meu corpo acaba,
Ou melhor: onde começa a ser seu!
Eis-me todo e parte.
É só brincadeira e verdade.
A poesia vem quando o verbo morde a carne,
No gosto inaugural, o instante,
Agora sempre dentro.
Sou eu quando me tocam e me mostram onde meu corpo acaba,
Ou melhor: onde começa a ser seu!
Eis-me todo e parte.
O preto café e a tapioca bem clara se misturam no corpo que deseja o sabor,
como a criança, a novidade, o adulto, a amizade e os mais velhos, o cuidado.
O corpo encontra, o espírito vibra.
Tudo intuo, afeta, gozo.
Gosto do gosto em ti -
Absurdo, como preferir uma cor.
Aproxima-se do que pretendi
Antes mesmo de saber o que for.
Descanso meus amores no plexo.
Enquanto calcina os afetos, consome!
A fim de falar em Epicuro e seu jardim,
Pra o começo do afeto acontecer,
Alegrando só (e tanto) o correr da água,
o pão...
Com sons e cantos que há muito conheciDoisificar-se
Tre, quadri, multiplificar.É estranho sentir saudade de ti?
Se só te sei como criação e como aroma da memória...
Se te vejo uma miragem, inundada de luz,
Traduzida em arte, e é só uma coisa,
Um gesto, um jeito, um ser.
Amável véu que desnuda quando cobre
E acaricia a melhor parte.
Afeta existir
Tanto outrem quanto a si.
E somos nósOferto os votos
Do anseio que leva os corpos -
Coisas demasiadas fora para conterem-se:
Desmesurados Dentros
Existem, persistem e movem
Astros e nuvens e seres...
Despoder:
Punção de entrarDesejo o riso e a raiva.
A impassiva carícia, falas espertas,
Doces e safadas,
Molha, a cerveja, a boca que firma as ideias em palavras...
Vejo ali o que almejo entre os goles, entre as cores que emolduram seus contornos,
Entre mais um copo, sentar mais próximo, passar um cachorro,
Entre os toques que se avizinham,
Atentos e fortes... perenes.
Quero o que queres
E que queira mais...
Quero a língua, a saliva, os dentes
E tudo que te jacta...
É um lance de alea
E de iact est.
Desejo
Conhecer a si, a ti, aos dois,Tanta luta entre estar nua e crua
No braço que quase segura,Vê-me! Mais que c'olhos:
Com a pele, o sangue,
Co'a clarividência dos dias vindouros...
Um pote de ouro, raio de Sol,Se te posso sofregar,
Pra que estar sozinho?
A angústia também é novo sentido.
Quero-te sempre junto,
Minhas pernas e minha bunda que trilham o caminho.
Amanhã quiçá virá - quem sabe? - uma certeza.
Por cá é só infantileza do olhar.
Desejo inverso revestido de "num sei se"
Amanhã sim serás o Sol Rei.
Hoje nos encontramos
E é puramente isso
Sem razão nem planos,
Sem compromissos -
Com tudo.
O simples nos darmos as mãos
E o mundo.
Os segredos, os sussurros...
A vida em potência
De doçura e violência.
É silêncio de mãos dadas
Com olhares, línguas e dentes.Começa feito vento,
Aroma
Que se intensifica como vinho,
Teu cheiro sentido, mescla de pele e brisa.
Teu colo transborda, respira
Arfando, amado.
Encontro o suspiro esperado,
Adentro.
Teu quarto trancado se abre
E as cores contemplam dois corpos
Imersos nas línguas, nos dentes, nos toques suaves,
Sensíveis, firmes, potentes;
Num instante se tornam a busca do horizonte,
O longe invade os nervos,
Inunda de hormônios.
E'ncontro o riso guardado pra gente
Às seis e quinze da tarde.
A mão da menina faz arte,
Mistura mistério e saudade.
Pudera ter dito
Que na minha filosofia estar apaixonado é o equilíbrio
Da emoção desse ser tão racional.
Você disse tchau.
Eu engoli os versos,
A saudade, a vontade de ouvir a voz, de cantar canções,
De falar em Spinoza, rir de histórias,
De voar quando abrir o Sol.
(E me restaram no peito as baratas de Maiakovisk.)
Achei!
Estava num canto,Desejo pra ti, uma gaveta de sonhos,
Que nem eu nem ninguém vai te dar.
Vai... estende a mão, abre, remexe
e encontra...
São mãos de cem quedas d'água,
Mais de não sei quantas cores alegres,
Frutos silvestres nos seios, nas púbis, no ventre.
No centro do lado,
Poeiras de estrelas formam o barro que escorre da telha.
Bem vinda menina!
Respira essa brisa -
O aroma que invade a preguiça, a retina,
Que mora com a tia de um digníssimo rapaz.
“Eu vi a sua bundinha”,
gravada em luz, talvez luar ou lâmpada ordinária;
brilha inacessível, grafada em tons de cinza
rela as retinas,
ésses candentes. Omisso bico
semi-presente...
(acento grave)@anadentemole
Perdi o beijo.
Acho que achei um beijo...
Sem porquês, estalou!
Um plocket simples...
E a sabiá, a mim e a si, responde:
a saudade agora é sim.
Política
palavra impoética
ímproba,
odiento ovo d'cobra odienta.
Luta incauta dos sem causa.
Mimetiza-se o mago,
(virginizam-se) encantados gados
(mais mansos e brabos).
Armas nas botas
Armas na boca
Armas
Embotas
Esgarçada, covardia tua,
a fina textura
que segura a gente
Dissimula
Mente
Finge a força que não te acompanha, infante,
podre, torpe, rude, inerte, vil, perverso, infame,
desvaloroso, obtuso, disforme, chauvinista
inerme, pavoroso, inepto, errante,
pervertido, mau – facista!
(impoesia)
Adjetivo outro:
mito apocalíptico;
escatológico fruto
do ventre indigno.
Valhei-me pernas e tropeços! e pedras – dais meu nome quieto na gravidade úmida de tempo e entorno; e de perto, do seu eu vê-la e nunca a ela.
E depois de manifesta a primeira coisa, do primeiro tipo, viu-se:
Mais mão do que houvera, mais mão no que nem era mão – naquilo,
plasmado do porvir;
As mãos, à partir de agora, ferramentas; o toque, mais que tudo, princípio de magia e violência;
Ambas
Desmedidas
Se nunca os tivesse visto, saberia todo o resto menos isso; muito provável que houvesse só o vazio do sentido, que veio vir a trazer aquele par (como existisse, definitivo, o mais belo quadro, mas que dele só se soubesse a moldura... e que pudera ter sido o mais belo quadro, e só isso). E, nesse caso, eram olhos...
em verdade olhos ordinários, desses que se cruzam por um acaso de uns estarem por descer do ônibus e os outros por ali passeando, distraídos, enxergando sem verem o que de fato olhavam no momento de clarividenciarem o encontro.
...havia a vida naquele olhar, e pensava isso enquanto não mais estavam juntos os olhares...
mas ainda presente a sensação que trouxeram pela conversa de eras, num simples se porem os olhos uns nos outros;
Mais presente aquela umidade de vida que se alongava a sua análoga: aventuravam-se na brincadeira de ver almas; ambas, graves e responsáveis ao ludicarem seus contatos.
E o mais que vira fôra silêncio,
sem adjetivos...
o tanto de vida faltante a sua(...).
A dela reciproca.
Olhou breve para o canto superior, e o canto da boca na mesma feita – como se ao cair pensasse “não; denovo...;” e ao mesmo tempo dissesse um sim melodioso ao zunir, caindo. Era nítido que um tanto dA falta estivesse indo na cor mesma daqueles olhos – castanhos, quase que certamente que castanhos; dependendo da luz, méus.
A falta, agigantando-se, vivendo na cor que a olhou uma única vez, e ainda a que mais olhara certo...
Reconhecera a sua criança na criança que habitava ali.
e além de méis, azuis, quase que plenamente azuis essas crianças
Tinha a facilidade para reconhecer crianças nos olhares, treinara desde a infância, como instrumento, como utensílio, ou melhor, como uma língua, que só vive por nós.
Vivia sua memória no simples ecoar de um movimento. Agora:
“vivente memória daqueles olhos de ora,
daquela cor,
do silêncio ofuscante,
daquela falta...”.
Ainda vivia a memória do pôr-do-Sol, roxo, vermelho, laranja, cor de amarílis e cor de rosa, esta alada cor. que via ainda, mas que via viva no instante antes do impacto.
As três vidas, o pôr-se o Sol, ela e ele indo-se, e os olhos pondo-se, viviam, viviam deveras; impulsionadas; independentes, imprudentes de vibrantes.
Vivia assim, até quando consegue reviver que vivia, vivia assim: em soluços, ou entre as pausas de um para outro estacato da risada mais gostosa; e ela como o caminhar saltitante dos relógios da casa de sua vó, que pareciam mais namorar do que obsequiar o pêndulo... namorava, de fato, o tempo como quem tenta guardar o gosto de todo o canto da vida numa única boca, e para isso tem de fartá-la do pão, da saliva e do sabor de todo canto.
Mastigar
passo a passo
o mínimo possível
sem engolir
manter o mais fresco
que se pode,
até se percerber saboriando a própria
boca.
A gravidade do silêncio a excitava, e a adormecia ao se concentrar em todas as suas
cores...
assim fôra que aprendera a escutar o pigmento das palavras.
só podiam mesmo ser ditas pelo que as enxergasse... mas
olhos só dizem olhares.
E se chamasse?... se gritasse àquelas cores, àquele silêncio, àquele vale de possibilidades que tanto a instigava? Se gritasse... e se gritasse...
não, não no mundo da cognição, não nessa avenida de políticas que só afastam o que se pensa ser a vida do que tem alma.Gritaria feito doida nenhum nome, não sabia o nome do silêncio nessa outra língua criada pelo homem para esconder o significado íntimo das coisas... “significado íntimo nenhum”
então:
“te empresto meu livro, sem nenhuma promessa,
te dou assim o que jamais poderia,
pois sou mais o que flui do que a fluência;
mais revelada pelo o que em mim ecoa, do que pela matéria em si
– ('é como timbre natural, entende?)...'
… e ela não sabe a resposta; e mesmo que houvesse, não era exatamente aquilo que calava, era uma outra cousa, ou de outra natureza, ou outra forma;
na verdade não calava: soava; tangia o sentidos que reverberavam... e só. E aquelas cores que se iam pareciam ter escutado; se sim,
“essa cor faz a minha luz ser vida aos ouvidos.”
E dependia do it também, havia it que se ouvia como sinfonia jazzística, noutro uma sonatina populaça, noutro um doce melisma escutado ao longe...
tinha it em que parecia ser só o sussurro de uma chuva, fininha, em que é preciso fazer shhhhhhhhhhh para a companhia... calar a respiração para ecoar o shhhhhhhhhhhhhhhhh..., … … … … … … … gostava era de quando soava uma caixinha desafinada boa, gostava justo do desafinado, dava-lhe a textura, a afetuosidade àquela única composição de tons, e mais ainda gostava de pensar nas gerações que escutaram essa caixinha ir perdendo o teso 440 hz no lá; e ir ganhando a vida nos contornos tônicos,
nas cores da ferrugem do som, nas memórias como sétimas sensíveis,
como cheiro de casa de amigo.
E sentia-se a interseção do próprio escutar essa caixinha de segredos, ela era todas as fotos e todo o terem amaralecido as notas as fotos e a bailarina. E o espelho visto desde sempre; como era também a entidade dos sorrisos que se abrirão nos incessantes renovares e permaneceres – como eram seus olhos e as suas mãos, sintomas de sua individualidade e de sua comunhão: nos olhos, tinha a dádiva consagrada por ela e por ancestralidade, e nas mãos os traços da maldição de acarinhar o fogo,
como resultado – enxergava o lá e tateava o ritmo, música e verso, para acalentar o quase-sem-querer-derramar dos seus carinhos respingados pelo mundo afora, orgânica de luminosidade...
… e não sabia ser isso uma pergunta.
como se chamaria aquele olhar, que os seus chamavam em olhares?
mesclados de aflitos pela voz ser brilho e de calmos em saber a música dos olhos amantes,
que já eram amantes aqueles olhos que, mesmo que amantes, não se voltaram mais.
... - ...
Seguindo retos, os dois agora amantes tentavam se manter fixos no destino, achando que deviam proteger os passos que iam precisos no caminho,
mas sozinhos, pois os olhos ficaram vivendo a miragem dos amantes que, parados, se despediam em pequenos raios misturados sem saberem... ele, concentrando sua atenção nos planos, atento as eloqüências dos tempos, principalmente deste tempo, querendo saber pensar o universo... de olhos medrosos em verem o vazio quântico cotidiano... se penetrasse o vazio, teria que conviver com o abismo todos os dias... e é perigoso, pois os abismos nos elucidam, nos atraem e nos crescem...
e tinha medo por inteiro de deixar de ser, deus criança e poeta.
E
Não se voltaram para trás.... queriam também manter aquele gosto... como querendo ser apenas água o que é mar,
E aqueles olhares ficaram-se assim um ao outro, como gostos que deslizam lentamente para a eternidade humana –
inexistindo
inexistindo,
inexistindo;
inexistindo. até tornar-se o sulco do nada da vida, e ir compor o fruto da graça do corte que, posto que divino, vazio...
como todas as poesias surgidas na boca de todas as crianças:
O meu vazio está em todos os olhos que não vieram olhares para vê-lo.